Apesar da minha experiência em publicidade, de trabalhar na área e de amar o que faço, a arquitetura e suas facetas me fascinam.
Não tenho um estilo definido e fechado (meu conceito de personalidade é amplo; não sigo uma receita básica).
Este é um momento de explosão criativa; experimentar e misturar são as palavras de ordem, sempre com o mesmo objetivo de criar o seu espaço de vida, desde a escolha de um objeto específico até a construção de uma atmosfera totalmente personalizada.
Há alguns anos, quando estava mobiliando minha primeira casa, fiquei completamente fascinado por uma ideia chamada Thonet. Talvez você não associe o nome ao objeto, mas com certeza já se sentou para uma refeição em uma cadeira nº 14 ou relaxou balançando em uma nº 04. Ainda não se lembra, não é?
Michael Thonet era filho de carpinteiros e desenvolveu uma técnica para curvar madeira maciça a vapor (um marco na história do design industrial), dando vida a um objeto leve e elegante composto por poucos elementos. Com a ajuda de seus filhos, em 1859, ele apresentou em Viena a cadeira que permanece a mais vendida da história; uma peça com apenas seis elementos e seis parafusos.
Originalmente chamada de nº 14 (hoje é a 214 no catálogo), a cadeira de "estilo austríaco" foi encomendada por um café em Viena. Era perfeita para o estabelecimento porque, além das características já mencionadas, seu tecido de palhinha perfurado evitava respingos de café. A produção era rápida, barata e logisticamente muito simples; 36 cadeiras cabiam em uma caixa de apenas 1 m², o que acelerou exponencialmente as vendas, e em 1930 mais de 50 milhões de unidades já estavam em uso em todo o mundo.
O estilo Thonet foi além das cadeiras convencionais, moldando também cadeiras de balanço, bancos e mesas.
Mas, voltando ao meu desejo de misturar épocas, texturas e cores sem seguir um manual, acho que nunca mais conseguirei viver em uma casa sem uma peça da Thonet. Sinto que elas são atemporais e que, apesar de terem mais de 160 anos, trazem frescor a qualquer ambiente. Hoje, em casa, são as cadeiras nº 14 de ébano com palhinha clara que circundam a mesa de jantar branca Saarinen com tampo Piguès — o encontro da Viena de 1859 com a Finlândia de 1956.