Do apartamento milanês de Pietro Ruffini ao Baccarat Hotel em Nova York e ao The Lana em Dubai, Gilles & Boissier criam interiores ao mesmo tempo poéticos e precisos, unindo o savoir faire francês à modernidade global.
Patrick Gilles e Dorothée Boissier fundaram seu estúdio em Paris em 2004, após anos formativos ao lado de grandes nomes do design contemporâneo. Ele trabalhou com Christian Liaigre e ela com Philippe Starck.
Juntos, construíram uma agência reconhecida rapidamente por interiores que equilibram rigor e sensualidade, geometria e lirismo. Seu estilo não é uma fórmula, mas um diálogo que transforma cada projeto em uma narrativa única. A longa relação com Remo Ruffini, CEO da Moncler, cresceu em uma conexão familiar. Gilles & Boissier imaginaram as boutiques da marca pelo mundo e depois as residências privadas do próprio Ruffini. Essa confiança se estendeu aos filhos. O apartamento de Pietro em Milão, publicado pela Elle Decor, revela uma mistura refinada de arte contemporânea e mobiliário sob medida. Já fotos compartilhadas da casa de Romeo mostram contrastes marcantes e atenção aos detalhes, refletindo como o estúdio adapta atmosferas a diferentes personalidades.
Seja em Paris, Nova York ou Dubai, seus interiores lembram que a arquitetura pode ser abrigo e narrativa, uma poesia vivida em que cada material tem linhagem e cada espaço guarda memória.
O Baccarat Hotel em Nova York, inaugurado em 2015, marcou um marco na trajetória do duo. Desenvolvido pela Starwood Capital, com a torre projetada pelo Skidmore, Owings & Merrill e interiores assinados por Gilles e Boissier, o projeto traduziu a herança da tradicional casa de cristais em um ícone de hospitalidade contemporânea. Paredes em seda plissada, paletas em tons de champanhe e móveis sob medida convivem com lustres Baccarat e toques rubi.
O bar, de escala dramática, faz referência tanto aos long bars americanos quanto aos salões dos hotéis particulares franceses, com acabamentos em madeira natural e tetos abobadados. O edifício, concebido pelo SOM, foi descrito como “uma peça lapidada de cristal”, eco arquitetônico da essência da marca. Se o Baccarat levou a herança francesa ao palco nova iorquino, o The Lana em Dubai trouxe um novo diálogo.

Primeiro hotel da Dorchester Collection no Oriente Médio, com arquitetura do Foster + Partners e interiores de Gilles & Boissier, o projeto exigiu sensibilidade cultural e sofisticação. Inaugurado em 2024, o The Lana tem 225 quartos, mobiliário sob medida do estúdio, obras de arte selecionadas e o primeiro Dior Spa da região. O design aqui não busca pastiche, mas ressonância, um olhar parisiense afinado com a luz e a escala do Golfo.
Mais recentemente, o estúdio revelou o redesenho do Four Seasons Formentor, em Maiorca, criando um ambiente sofisticado e moderno que presta homenagem ao passado histórico da propriedade e às paisagens fascinantes do arquipélago das Baleares.
Igualmente emblemático de sua filosofia é o apartamento na Avenue Montaigne, em Paris — o showroom da própria dupla. Ao entrar, tem-se a sensação de ingressar em uma residência particular: quarto, salas de estar e escritório — cada ambiente é ambientado com suas criações em uma harmonia de volumes, materiais e luz.

Logo adiante fica a galeria — o laboratório de ideias da dupla —, onde a intuição conduz a experimentos com cores, padrões e justaposições ousadas. Sob o olhar do monumental Colosso de Christophe Charbonnel, o apartamento personifica o espírito de ousadia e refinamento deles.
Na loja-conceito da Moncler em Paris, a iluminação foi calibrada para evocar a luz diurna dos Alpes — uma referência sutil às raízes da marca no montanhismo. Em seus projetos residenciais, as texturas são tão importantes quanto as formas: pisos de parquet vindos da Borgonha, marcenaria sob medida com lâminas de madeira raras e peças vintage reinterpretadas em ambientes contemporâneos. Além dos projetos sob encomenda, a dupla expandiu sua visão para coleções próprias.
Desde 2021 produzem mobiliário e acessórios em colaboração estreita com artesãos. Cada peça, mesas com veios aparentes, metais com pátinas tradicionais, luminárias trançadas em fibras naturais, expressa a mesma filosofia de seus interiores, modernidade guiada pela herança. Seu livro monográfico, publicado pela Rizzoli, reúne duas décadas de projetos em um volume que se lê menos como portfólio e mais como manifesto de equilíbrio.
Seja em Paris, Nova York ou Dubai, seus interiores lembram que a arquitetura pode ser abrigo e narrativa, uma poesia vivida em que cada material tem linhagem e cada espaço guarda memória.