Existem mulheres que constroem marcas. Outras constroem legados. Emar Parece ter escolhido ambos os caminhos simultaneamente. Conhecida por seu olhar apurado no mundo das joias autorais, ela criou, ao longo dos anos, uma assinatura marcada por sofisticação, feminilidade e presença. Mas foi justamente quando o mundo desacelerou, em um dos momentos mais sensíveis da nossa história recente, que sua trajetória revelou uma camada ainda mais poderosa.
Em 2020, durante a pandemia, Emar fundou a Instituto Alimentando o Bem, uma ONG focada no desenvolvimento territorial e na criação de oportunidades reais em comunidades vulneráveis, com ênfase especial na liderança feminina como agente de transformação. A iniciativa nasceu da urgência, mas amadureceu e se tornou uma visão. Desde então, o instituto se consolidou como uma extensão natural de sua própria maneira de ver o mundo: com beleza, sim, mas também com responsabilidade, escuta e colaboração.
Há algo muito revelador em sua história. Emar nunca pertenceu a um único universo. Mesmo antes de se consolidar como um nome de referência no design de joias, ela também explorou outros campos criativos. Formada pela Le Cordon Bleu, ela traz da gastronomia uma percepção refinada de composição, textura e sensorialidade. Sua experiência com cerâmica, por sua vez, revela uma profunda relação com o material, o tempo e o gesto manual. Não é por acaso que sua estética nunca parece meramente decorativa. Há sempre intenção, memória e forma.
Essa visão se desdobra dentro do Instituto em iniciativas como Bem Cacau e Casa da Cerâmica, marcas sociais criadas para transformar o conhecimento local em produtos premium, desejáveis e cheios de significado. Mas, entre os projetos, há um que traduz a alma do instituto com especial delicadeza: Surf Caiçara.
Mais do que um esporte, o Surf Caiçara representa uma experiência de pertencimento, autoestima e futuro. O projeto aproxima crianças e jovens de uma vivência profundamente conectada ao território, ao mar e à cultura local, utilizando o surfe como ferramenta de educação, disciplina, liberdade e ampliação de horizontes. Há algo de muito belo no simbolismo disso: ensinar alguém a entrar no mar é também ensinar a confiar no próprio corpo, no próprio ritmo e na própria força.
O projeto ganha ainda mais sensibilidade por ter Isabella Fiorentino como madrinha, uma presença que reforça a visibilidade e o alcance desta iniciativa tão especial. Mas o que realmente torna o Surf Caiçara único não é apenas quem o apoia, mas o que ele desperta. Num país onde tantas infâncias são marcadas por limitações, oferecer acesso ao esporte, à natureza e a um senso de possibilidade é, por si só, um gesto profundamente transformador.
Há também uma faceta particularmente contemporânea em sua presença. No Instagram, através do canal Bora Batalhar, Emar expande essa conversa com um tom direto, generoso e inspirador, aproximando sua comunidade de temas relacionados a conquistas, propósito e movimento. Não se trata apenas de compartilhar realizações, mas de compartilhar a jornada. E talvez seja isso que a torna tão magnética: ela não demonstra força, ela a pratica.
O aspecto mais interessante da sua trajetória talvez seja essa capacidade de unir universos que, à primeira vista, podem parecer distantes. Luxo e social. A joia e o território. Design e urgência. O mar e a oportunidade. Emar Batalha nos lembra que a sofisticação não precisa ser distante e que a verdadeira elegância pode residir justamente naquilo que toca o outro.
Em seu universo, criar nunca foi apenas uma questão de adorno. Para ela, criar é também abrir caminhos.