Romântico e íntimo, o antigo espaço que já foi um clube de cavalheiros traz hoje uma deliciosa decoração contemporânea que mescla com o conforto de uma residência familiar.

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Novo para alguns, clássico para outros, o Saint James é o hotel boutique que traz atualizadas versões de hospitalidade e arquitetura, sem deixar a essência de residência familiar que já foi um dia.

Localizado no coração de Paris, na famosa e deliciosa 16º Arrondissement, o espaço foi reformado pelas mãos da designer Laura Gonzales e traz nas paredes, móveis e detalhes a art déco que formou o estilo parisiense ao longo da história, sem fugir da contemporaneidade dos tempos atuais.

Já conhecido pela sua imponência, o prédio original na Place Adenauer foi construído em 1892 pela viúva de Adolphe Thiers, ex-presidente da França na época para se tornar a Fundação Thiers, uma pensão beneficente a jovens estudantes que pertenciam à elite francesa na Belle Époque. Anos depois, o edifício tornou-se a sede do Saint James Club, um clube de cavalheiros que esbanjava um ambiente de painéis de madeira e veludo, com inspirações nos clubes de Londres.

Apenas na década de 1990 que o Saint James se tornou efetivamente um hotel. Recentemente, em 2011, o espaço ingressou na Relais & Châteaux, uma coleção de restaurantes, hotéis, vilas e resorts icônicos. Quando o Saint James foi reformulado para se tornar hotel, o ícone do design da época, Andrée Putman, foi solicitado a refazer os interiores. Em 2011, a segunda reforma ficou por conta da designer de interiores, Bambi Sloan, que acrescentou seu toque extravagante na decoração, com muito vermelho, prints animais e cores terrosas. Dez anos depois, outra designer feminina que manifestou a vontade de imprimir a visão contemporânea no espaço: a decoradora de interiores Laura González. Mesmo adicionando diversos toques modernos, Laura conseguiu devolver o Saint James à sua estrutura e decoração original, mas com versão 2021.

Laura Gonzalez imaginou o Saint James como uma graciosa e luminosa residência privada, onde o jardim é convidativo para entrar. Para ela, o Saint James encarna o grandioso hotel particular parisiense e sua ambição era aprimorar a arquitetura neoclássica do edifício, acrescentando luz e subtraindo o excedente para destacar os incríveis volumes, molduras e inúmeros detalhes ornamentais.

A designer adicionou nos corredores e em cada um dos 50 quartos algumas curiosidades chinesas do século XIX, detalhes art déco, prints florais da art nouveau e geométricos greco-romanos. Laura também fez questão de honrar a natureza francesa do espaço: cada mobiliário, pensado e elaborado exclusivamente por ela, foi produzido por artesãos e empresas parisienses, para promover e incentivar o mercado local.

Como num filme clássico, quem passa pelo Saint James avista um amplo caminho de cascalho antiquado que leva ao pátio principal e circunda uma fonte escultural. Logo ao fundo, é possível admirar um castelo campestre de três andares, rodeado por um aconchegante jardim imperial de 5000 metros quadrados no meio de Paris. O trabalho meticuloso para cuidar e construir o belíssimo e revigorante jardim foi do arquiteto paisagista Xavier de Chirac, que queria que a natureza reinasse sobre o hotel.

Chirac atendeu à necessidade de criar um lugar de ar fresco, onde seria possível se reconectar com elementos da natureza, mesmo na cidade. A área, localizada em uma área reclusa da 16º Arrondissement, é perfeita para quem quiser se desconectar da vida urbana e fazer uma viagem no tempo através da arquitetura e arte, longe da correria e multidão da cidade grande, mas ainda perto de ruas movimentadas, como a Avenue Foch.

Quem ultrapassar o jardim e entrar em um grandioso portão, vai encontrar um universo único dos anos 50. O lobby, que não tem nada de convencional, esbanja a arquitetura neoclássica. Laura trouxe os códigos do Grand Hôtel, consagrados pelo tempo, distribuindo pelo espaço algumas chaves antigas, penduradas na parede, azulejos formando mosaicos no chão, mesas de xadrez, sofás de veludo, desenhos no gesso de teto, sancas e nas paredes, além de portas de madeira maciça que acompanham as
grandes alturas do espaço.

Cada um dos 50 quartos e suítes são únicos, mas seguem uma cartela de cor que varia entre tons claros e suaves, desde tons de manteiga ao uso do verde, amarelo, rosa e azul. Laura Gonzalez preservou os elementos icônicos da decoração, como painéis de madeira, veludos e couro.

Ela apostou no uso de papéis de parede com estilo japonês, que brinca, de forma criativa, com as estampas das cortinas e roupas de cama, mas sempre em uma linha harmônica de design, um complementando o outro. Outro ponto chave do Saint James é o restaurante Bellefeuille, ganhador de uma estrela Michelin do chef Julien Dumas. O mestre da cozinha levou a natureza para os pratos e drinks, sendo vários deles apresentados com flores, hortaliças e frutas. Entre os destaques estão o Aspargo Branco Assado, Acácias e Sardinha Defumada, Lagosta, Paleta de Vitela confitada com Folhas de Capuchinha.

A cozinha é aberta para o salão e permite que os convidados assistam o chef finalizando cada prato. O ambiente remete a um jardim de inverno, com área aberta e fechada. No terraço, há outro espaço culinário disponível para quem quiser admirar o Saint James de cima.

E como bom Relais & Chatêaux, o espaço de Spa, fitness e bem-estar também oferece um dos melhores ambientes de relaxamento de toda a Paris. Um espaço que se estende por 400 metros quadrados e dois andares do hotel, é um dos únicos da cidade que disponibiliza esta comodidade com uma piscina interna de 15×4 metros, sob um teto de vidro que ilumina cada canto do ambiente pela luz do sol.

Cada vez mais comum entre hotéis, o Saint James também adotou o plano de membros que oferece acesso livre aos ambientes e comodidades do hotel, além de ser possível reservar e fechar salões para festas privativas. O Sala Salon Club também oferece experiências exclusivas, como provas de vinhos, encontros literários e eventos em parceria com outros clubes privados ao redor do mundo.