A designer de grandes hotéis e restaurantes de Paris conta como revolucionou a própria vida para colocar em prática o desejo de se conectar com histórias através da arte.


Se pudéssemos colocar em uma palavra a definição de Daphné Desjeux seria inspiração. A ex-apresentadora de televisão decidiu sair dos holofotes para seguir o desejo de se conectar com pessoas através da arte, e foi na arquitetura onde encontrou a sua maior paixão.
À frente do Atelier Daphné Desjeux, a decoradora tem no currículo e na história a assinatura de 15 grandes hotéis parisienses, como o Babel Hotel, o favorito de Daphné, que esbanja um espírito acolhedor e reconfortante de ‘sinta-se em casa’, e restaurantes, entre eles o Cabaret do Paris Society, ainda em construção. A agência de arquitetura e design de interiores é especializada em misturar gêneros e épocas, sempre com o objetivo de fazer com que cada cliente tenha a sensação de estar em família, em um ambiente acolhedor, mas também divertido.
Mas, além de todo o olhar aguçado e mente criativa, Daphné também ama estar em contato com a gastronomia: é nas brasseries parisienses onde ela encontra suas maiores inspirações, se deleitando nas delícias que vêm no prato e no vai e vem de pessoas na rua.



LM: O que te inspirou a seguir a carreira de arquitetura e design? Você sempre quis seguir esta área?
Daphné Desjeux: Sempre adorei ver o cenário mudar diante dos meus olhos. Minha mãe era agente de modelos, passei minha infância nos bastidores de desfiles de moda com cenários incríveis que mudavam sob meu olhar perplexo.
LM: No seu trabalho, quais referências você mais costuma usar? Você segue uma linha única de estilo ou faz de acordo com o pedido do cliente?
DD: Muitas vezes me entusiasmo pelos desejos dos meus clientes que interpreto seguindo a minha inspiração que se nutre de tudo o que o fruto do tempo faz, tanto os projetos que vejo, como os filmes, obras, exposições etc.
LM: Entre os 15 hotéis que você já projetou, teve algum que você mais gostou do resultado? Se sim, qual ou quais?
DD: Adorei fazer o último projeto: Babel Hotel. Certifiquei-me que era um chamado para uma viagem fora do tempo, como um lugar que teria sido extraído de uma época passada, como uma memória.
LM: Se você não fosse arquiteta, qual carreira seguiria?
DD: Adoraria esculpir trabalhos em madeira, ser estilista, criar perfumes… Os três ao mesmo tempo! 😉
LM: Como surgiu a ideia de criar uma agência? Pode nos contar sobre ela?
DD: Eu queria muito oferecer minhas criações aos meus clientes. Então eu montei minha empresa há mais de 10 anos. Imediatamente quis decorar hotéis e restaurantes, lugares que recebem o público, me fascinam e me inspiram.
LM: Quando você precisa de inspiração, você possui algum lugar preferido para ter ideias?
DD: Eu amo as brasseries parisienses para fomentar minha inspiração. Eu gosto de observar as pessoas que passam diante de mim. Eu imagino sobre a vida delas e, rapidamente, as ideias surgem.
LM: Dentro da arquitetura, qual parte do projeto você mais gosta de fazer? A idealização da restauração, a produção, a obra… conte pra gente?
DD: Eu gosto muito do briefing, mesmo quando não há nenhum, me divirto muito trabalhando sem. Cabe a mim imaginar uma história, um personagem, um cenário para que a inspiração venha em seguida. Toda a pesquisa que leva à criação realmente me atrai. Tenho também, particularmente, toda a parte técnica, o estudo que permite traduzir as nossas ideias em realidade. Enfim, o processo é realmente agradável. Sinceramente, eu acho que gosto de todas as fases.
LM: Quais preferências de design você gosta mais de seguir?
DD: Eu diria que gosto muito do estilo Belle Époque, Art Nouveau e Années Folles. Madeira, vidro, formas e curvas sempre me inspiraram muito.
LM: Você pode nos contar se há um prédio ou construção, que não foi projetado por você, que te inspira e te admira?
DD: Gosto muito da poesia do Museu de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro, projetado por Oscar Niemeyer.
LM: Qual dica você pode dar para futuros arquitetos?
DD: Eu diria (e não estou inventando) que apenas a intuição conta. Nada mais, nem a tendência nem o conselho dos outros. Você tem que confiar em si mesmo.
LM: Se você fosse um estilo de design, qual seria? E por quê?
DD: Eu seria: rústica de transição!